Ensaio Fotográfico: O que é e por que você deveria viver essa experiência?

O ensaio fotográfico - como ferramenta estética e até terapêutica - promove novas formas de consolidar sua autoestima, auxilia a romper com inseguranças, celebra momentos e condensa, artisticamente, os melhores traços da sua personalidade.

Daiany Santos por Gabriel Juan Fotografia
Daiany Santos por Gabriel Juan


A VIDA É UM ESPETÁCULO: É HORA DE ENSAIAR


O que chamamos de Ensaio Fotográfico nada mais é do que uma coleção de fotografias feitas com base em um mesmo tema ou objeto de observação. Essa expressão “ensaio fotográfico” se popularizou a partir do termo em inglês photo-essay, que definia qualquer conjunto de imagens produzidas e organizadas de forma a explorar uma temática ou narrar uma história.


Dentro da fotografia de pessoas, o ensaio fotográfico é o único que permite o total controle do fotógrafo e da(s) pessoa(s) fotografada(s) sobre o que está acontecendo, e talvez seja esse mais um motivo pelo qual ainda insistimos em chamar de “ensaios” essas sessões fotográficas, uma vez que em casamentos, batizados, aniversários, bailes e outros eventos pontuais, as situações simplesmente acontecem e precisam ser capturadas com agilidade e sem chance de repetição. Nessas situações, não estamos “ensaiando” nada, estamos “vivendo pra valer”.


Juliana Delfim por Gabriel Juan Fotografia
Juliana Delfim por Gabriel Juan


UM PRIVILÉGIO HISTÓRICO


Há muito tempo atrás, ter uma representação de si mesmo(a) era um luxo do qual pouquíssimos indivíduos podiam gozar: era necessário ter muito dinheiro e muita influência para poder contar com um artista que pudesse dedicar meses ou até anos em estudar seus traços e replicá-los em uma pintura à óleo, por exemplo.


Quando a fotografia surgiu, lá pelos anos de 1830, ela ainda era, como a pintura e a escultura, um processo artístico demorado, complicado e caro, e somente quem pertencia à classe mais alta da época continuava a deter o privilégio de guardar um registro físico de si mesmo que se mantinha intacto com o passar dos anos, enquanto nossa memória cerebral quase sempre falha em preservar nossas lembranças visuais mais antigas.


Rainha Victória, da Inglaterra - Pintada por Franz Winterhalter em 1843
Rainha Victória, da Inglaterra - Pintada por Franz Winterhalter em 1843


AO ALCANCE DE QUALQUER UM


Hoje em dia, as câmeras são bens de consumo tão acessíveis que foram sendo cada vez melhor incorporadas à outros dispositivos móveis, como celulares, tablets e notebooks. A rápida democratização do acesso à própria imagem em forma de registro virtual - somada ao fenômeno da explosão das redes sociais - criou uma cultura de consumo fotográfico quase que descartável: enquanto seus avós guardam com carinho suas pouquíssimas fotos reveladas em preto-e-branco, você provavelmente compartilha e assiste centenas de stories por dia, que, advinha, vão desaparecer depois de apenas 24 horas.


Portanto, as câmeras vieram para todos, mas a fotografia como um fazer artístico constituído de significado e planejamento ainda ficou restrita à poucas ocasiões e poucos interessados. A pergunta que não quer calar é: se o meu celular já faz fotos tão boas quanto uma câmera profissional, pra quê fazer um ensaio fotográfico?


Esse texto procura, então, explorar alguns dos bons motivos para considerar com carinho a possibilidade de viver a experiência de um ensaio, descobrindo que um bom conjunto de retratos de si mesma vale muito mais que mil selfies. Vem comigo?


Beatriz e Júlia por Gabriel Juan Fotografia
Beatriz e Júlia por Gabriel Juan


AUTOESTIMA: COMO VAI A SUA?


Falar sobre autoestima sempre requer muito cuidado e muita sensibilidade, uma vez que os processos de construção do nosso amor próprio, nosso bem-estar pessoal, nossa qualidade de interação social, autoconfiança e muitos outros aspectos psicológicos se originam, se desenvolvem e se estabelecem de maneiras muito distintas e singulares pra cada um.

Infelizmente (ou felizmente) a afirmativa de que “a simples ação de fazer um ensaio fotográfico tem como consequência direta o aumento imediato da nossa autoestima” é falsa.

Sabendo disso, podemos realinhar nossas expectativas sobre o que uma pessoa que quer ser fotografada pode esperar da experiência fotográfica de um ensaio, em termos de autoestima: é preciso encarar uma sessão de fotos como uma ferramenta ligeiramente terapêutica, que vai prover, através da arte, uma nova perspectiva sobre si para quem está sendo fotografada.


Na falta de um termo mais adequado, eu uso a expressão “terapêutica” como uma virtude dessa prática de fotografar porque esse ato de buscar registros de si mesma e compreender-se como alguém “digno de holofotes” nada mais é do que uma iniciativa de autocuidado: cuidar de si vai além das consultas médicas rotineiras, momentos de descanso, entretenimento ou meditação - cuidar de si também é presentear-se com experiências que te façam refletir sobre a própria existência, te fazem se sentir mais viva e mais feliz.


Teresa Cristina por Gabriel Juan Fotografia
Teresa Cristina por Gabriel Juan


NOSSAS PERCEPÇÕES SÃO SINGULARES


Agora que já exploramos conceitualmente a autoestima sob o viés do cuidado consigo mesma, podemos embarcar na discussão da autoestima sob a perspectiva da auto-avaliação: seja ela estética, identitária, social, etc…


A forma com que enxergamos e registramos cada coisa no mundo é extremamente singular: às vezes um mesmo acontecimento é interpretado de formas completamente opostas por duas, três ou mais pessoas diferentes. Logo, é fácil concluir que, apesar de você ser uma pessoa só, no mundo, a forma com que você enxerga a si mesma é distinta da forma que todas as outras pessoas do mundo encaram sua existência.


E é justamente por causa dessa dinâmica tão diversificada de visões, interpretações e julgamentos que um ensaio fotográfico se torna, volto a repetir, uma ferramenta promotora do bem-estar: no final do processo, quando você admira suas fotos prontas, você mergulha dentro das ideias do fotógrafo enquanto toma emprestado os olhos dele pra enxergar a si mesma sob um novo ponto de vista.


Ao enxergar sua própria imagem na perspectiva de outra pessoa, você incrementa e adiciona novas informações afetivas e estéticas na sua forma de enxergar à si mesma (e o mundo ao seu redor).


Já ouviu de um amigo: “não consigo explicar o quanto eu te admiro, eu precisaria emprestar meus olhos pra você se ver com eles”? A fotografia cumpre exatamente com esse papel: ao final do processo, os olhos atentos do fotógrafo serão os seus também.

Bruna Antonieta por Gabriel Juan Fotografia
Bruna Antonieta por Gabriel Juan


ROMPENDO COM O QUE TE APRISIONA


A insegurança e a timidez são sentimentos intimamente ligados à incerteza (sobre si e o lugar que ocupa no mundo) e ao deslocamento (sensação de não-pertencimento àquele grupo, mundo, espaço ou tempo). Confrontar essas sensações reclusivas exige um exercício de ruptura que pode ser promovido por uma série de coisas, dentre elas, a fotografia.


Pense que no ramo científico, por exemplo, uma determinada ideia ganha cada vez mais sustentação conforme aumenta a quantidade de profissionais que a estudam e reafirmam sua veracidade sob seus distintos pontos de vista. Na fotografia não é diferente: quando os seus valores e capacidades são reafirmados por uma série de imagens, resta pouco espaço para incertezas.


Também é importante falar sobre representatividade como uma das contramedidas à timidez, que se instaura através de sentimentos de não-pertencimento. A fotografar-se, em um ensaio, você prova pra si mesma ser merecedora de desfrutar de um espaço de foco, de atenção e de notabilidade: enquanto você se convence ser parte dessa classe de importância, você ainda abre caminho para demais mulheres parecidas com você trilharem esse mesmo caminho com mais facilidade e confiança.


Milena Geovana por Gabriel Juan Fotografia
Milena Geovana por Gabriel Juan


MEMÓRIAS QUE CELEBRAMOS


Outro excelente motivo para considerar com carinho a ideia de ser protagonista de um ensaio fotográfico está ligado à ideia da fotografia como recurso de celebração e imortalização de momentos importantes da nossa vida.


Esse motivo parece até bem óbvio: nós já crescemos dentro de um costume social de registrar com fotos certas datas muito pontuais como nossos aniversários, formaturas, casamentos, batizados, etc. Mas repare que a característica principal desse tipo de foto que estamos acostumados a fazer é: clichê.


Essas fotos são clichês porque quase sempre são todas iguais, apesar de ainda terem muita importância a